Panorama Técnico: Sistemas de Filetagem de Peito de Frango
A filetagem (ou desossa) do peito é a etapa de maior valor agregado em uma planta de abate de aves.
O objetivo é converter a "carcaça frontal" (peito com osso) em filés e sassamis com a máxima precisão, evitando que proteína nobre seja descartada como resíduo (CMS).
1. Tipos de Máquinas e CategoriasExistem três categorias principais de equipamentos, divididas pelo nível de automação e complexidade:
A. Sistemas de Cones (Manuais ou Semiautomáticos)
Princípio de Funcionamento: Consiste em uma corrente transportadora com "cones" de aço ou polímero.
Os operadores encaixam o peito no cone, e a carcaça passa por postos onde trabalhadores realizam os cortes com facas manuais ou pneumáticas.
Produção: Depende da quantidade de operadores.
Uma linha padrão pode processar de 500 a 1.200 peças / hora por linha.
Diferencial: Alta flexibilidade para diferentes tamanhos de frango, mas custo de mão de obra elevadíssimo e maior risco de acidentes.
B. Filetadoras Automáticas Modulares (Ex: Marel AMF)
Princípio de Funcionamento: A máquina utiliza um trilho de transporte onde a carcaça é fixada.
O diferencial aqui é a modularidade. A carcaça passa por "estações" mecânicas: um módulo retira a pele, outro corta a fúrcula (osso da sorte), outro destaca o filé e o último remove o sassami.
Produção: Entre 3.000 e 6.500 carcaças/hora.
Diferencial: É o sistema mais robusto do mercado.
Modelos como a AMF-i utilizam sensores para medir o osso e ajustar a pressão das lâminas automaticamente, o que garante o "Yield" (rendimento) mesmo em lotes despadronizados.
C. Filetadoras de Alta Velocidade Integradas (Ex: Meyn Rapid)
Princípio de Funcionamento: Ao contrário do sistema de cones ou trilhos horizontais, estas máquinas costumam ser mais compactas e utilizam um sistema de carrossel ou indexação rápida.
Elas são projetadas para o "descarte automático": a carcaça entra e as peças saem separadas em esteiras diferentes de forma extremamente veloz.
Produção: Podem chegar a 7.000 a 8.000 carcaças/hora.
Diferencial: Menor ocupação de espaço (footprint) na fábrica, mas exige uma manutenção eletrônica muito mais rigorosa.
2. Rendimento (Yield) e Eficiência
O rendimento é medido pela quantidade de carne retirada em relação ao peso total da carcaça.
Perda de Carne no Osso: Em sistemas manuais mal treinados, perde-se até 3% de carne nobre.
Em sistemas como o AMF-i, essa perda cai para níveis inferiores a 0,5%.
Integridade do Sassami: O grande desafio técnico é retirar o sassami sem quebrá-lo.
Máquinas automáticas modernas usam raspadores que "imitam" o movimento do polegar humano, garantindo o aspecto visual exigido para exportação. |